terça-feira, 25 de outubro de 2011

Falta de coleta seletiva eficiente no Brasil abre espaço para a importação ilegal de lixo

A Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos – entidade que acompanha a questão da reciclagem e da destinação de resíduos no Brasil e trabalha em prol da educação ambiental e à promoção de conceitos de consumo responsável mais uma vez alerta a população sobre a questão recorrente da importação de lixo no Brasil.

Na última semana, cerca de 50 toneladas de lixo hospitalar, ilegalmente importado dos EUA, foram descobertas em contêineres desembarcados no porto de Suape (PE). E não é a primeira vez que grandes carregamentos de resíduos sólidos ilegais chegam ao Brasil. Em 2010, mais de 20 toneladas de fraldas, produtos de limpeza e ração para cachorro em decomposição chegaram ao país, trazidos por uma exportadora chinesa cujo navio zarpara de Hamburgo. Um ano antes, 64 contêineres contendo cerca de 1.200 toneladas de lixo tóxico, proveniente do Reino Unido, foram descobertos em Santos e no porto gaúcho de Rio Grande. Em 2004, carregamentos de cádmio e chumbo foram despachados da Itália, da Espanha e dos Estados Unidos para o Brasil. São procedimentos ilegais, que chegam, até mesmo a envolver questões diplomáticas e que, além disso, levantam as discussões que abrangem o gerenciamento do lixo no mundo.

A Plastivida acredita que esse tipo de problema poderia ser evitado se o Brasil contasse com uma estrutura eficiente de coleta seletiva para o abastecimento da indústria que utiliza plásticos como matéria-prima, pois todos os plásticos (inclusive o Isopor, sacolinhas, embalagens metalizadas, PVC, etc) são 100% recicláveis.

No caso do PET, por exemplo, o Brasil chega a importar PET reciclado do Paraguai (nos últimos três anos foram 10 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET - Abipet). Em 2010, 56% do PET pós-consumo foi reciclado no Brasil.

No caso do PVC, plástico que poucos sabem que é 100% reciclável, a reciclagem no Brasil passou de 14,5% em 2009 para 15,1% em 2010. O volume reciclado foi de 25.302 toneladas frente às 20.693 toneladas recicladas no ano anterior, ou seja, um aumento de 22,3%. O PVC, apesar de estar entre os três plásticos mais produzidos no mundo, é um dos plásticos que menos aparecem no lixo urbano. Em 2010 foram gerados 167 mil toneladas de resíduos de PVC pós-consumo o que corresponde a apenas 5% do total de resíduo plástico gerado no Brasil. Isso ocorre porque 64% do PVC são usados em aplicações de longa duração, com vida útil superior a 15 anos, como tubos e conexões, pisos, esquadrias, janelas, entre outras, muitos dos produtos ultrapassando os 50 anos de uso. Apenas 12% do PVC são destinados às aplicações de curta vida útil, ou seja, de 0 a 2 anos. O restante, 24% são aplicados em produtos de vida útil entre 2 e 15 anos. A pesquisa sobre o índice de reciclagem do PVC foi encomendada pelo Instituto do PVC à Maxiquim, consultoria especializada no segmento industrial e obedeceu a metodologia do IBGE.

Pesquisa realizada pela Plastivida, com base em 2010, mostra que apesar do Brasil deter a 9º posição entre os países que mais reciclam plásticos (19,4%), o nível operacional médio da indústria brasileira de reciclagem de plásticos, em 2010, foi de 64,5% da capacidade instalada, que é de 1,5 milhão de toneladas.

A pesquisa mostra que esse fator é um reflexo da estrutura de coleta seletiva no Brasil. Dos 5.565 municípios brasileiros, apenas 443, ou seja, 8% contam com coleta seletiva estruturada. É a falta de coleta seletiva e, portanto, de matéria prima a ser reciclada que abre espaço para a importação ilegal de lixo no Brasil.

O presidente da Plastivida e do Instituto do PVC, Miguel Bahiense, acredita que a educação - a disseminação dos conceitos de consumo responsável, reutilização dos produtos e destinação adequada dos resíduos, entre eles os plásticos - é o canal mais eficaz para que toda a sociedade – população, indústria, poder público – compreenda sua fincão em prol da sustentabilidade. “É por meio da educação que vamos conseguir aproveitar melhor os recursos, gerar economia e garantir a preservação ambiental”, afirma o executivo.


Miguel Bahiense
Presidente da Plastivida

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