quarta-feira, 24 de novembro de 2010

São Paulo será sede de discussão sobre a Reciclagem Energética


Mais um passo sobre a viabilidade da Reciclagem Energética como solução complementar na gestão do lixo urbano no Brasil será dado em São Paulo no dia 26 de novembro. A Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) promovem, em parceria com o Instituto de Engenharia, a Conferência sobre Reciclagem de Resíduos Sólidos, que vai abordar a compatibilidade dos modelos mecânico e energético de reciclagem.

A Reciclagem Energética é uma solução que transforma o lixo em energia térmica ou elétrica, uma tecnologia que é limpa, livre de emissões, que usa os plásticos - como as sacolinhas que embalam o lixo – como combustível para o processo e que complementa o trabalho de catadores e cooperativas no processo da reciclagem mecânica.  A Plastivida tem realizado fóruns em todo o Brasil para mostrar os benefícios e esclarecer dúvidas sobre a Reciclagem Energética, contemplada pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos e adotada em mais de 35 países como Alemanha, Japão e Estados Unidos, mas que ainda não é utilizada no Brasil.


Serviço:
Conferência sobre Reciclagem de Resíduos Sólidos – compatibilidade dos modelos mecânico e energético

Data: 26/11/2010 (sexta-feira)
Local: Instituto de Engenharia – Av Doutor Dante Pazzanese, 120 Vila Mariana- São Paulo /SP
Horário: 9h30 às 12h30


Palestras:

* O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil e no Mundo: Carlos Roberto Vieira da Silva Filho – Diretor da Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais

*A Reciclagem Energética e sua complementaridade com a Reciclagem Mecânica: Drª Adriana Schueler – Professora Adjunto do Departamento de Arquitetura  e Urbanismo – IT – UFRuralRJ e Pesquisadora do Grupo de Estudos em Tratamento de Resíduos



Mitos e fatos sobre a Reciclagem Energética

  1. O que é a Reciclagem Energética?
Trata-se de um processo limpo que transforma os resíduos urbanos (lixo) em energia elétrica ou térmica. Trata-se de uma das melhores soluções econômicas e ambientais para a questão do lixo urbano. Mais de 30 países, como Alemanha e Japão, já resolveram o problema do lixo urbano com a Reciclagem Energética.

  1. Qual o problema a ser resolvido?
A destinação do lixo urbano transformou-se num dos mais graves problemas das grandes cidades. As prefeituras enfrentam as questões logísticas sobre o lixo – falta de espaço para aterros, transporte do lixo para outras cidades, tratamento e “hospedagem” desse lixo, etc – o que acarreta grandes encargos às administrações municipais. A Reciclagem Energética é uma solução com menor ônus para os cofres públicos e menos impacto ambiental – evitando as emissões decorrentes da necessidade do transporte do lixo, contaminação e a sobra de resíduos.

  1. Quais os benefícios da reciclagem energética?
  • Ela minimiza significativamente o problema dos lixões e aterros;
  • É a alternativa recomendada pela ONU (IPCC 2007) para a destinação do lixo urbano;
  • Reduz a emissão de gases dos aterros sanitários;
  • Possibilita a recuperação energética dos materiais plásticos;
  • Pode ser aplicada perto de centros urbanos, reduzindo o custo do transporte do lixo para aterros distantes;
  • A área exigida para a implantação de uma usina é inferior à de um aterro.

  1. A Reciclagem Energética substitui o trabalho de catadores ?
Não. Somente depois de uma triagem, na qual são retirados os elementos que podem ser reciclados mecanicamente para se tornarem novos produtos, o lixo é encaminhado para a reciclagem energética. Nesse ponto, o papel do catador é fundamental para que não haja desperdício de nenhum tipo de produto. O que sobra desta separação (restos de alimento, materiais higiênicos descartáveis, além das próprias sacolinhas plásticas que embalam lixo) segue para a Reciclagem Energética.

  1. Qual a função dos plásticos na Reciclagem Energética?
Os plásticos são fundamentais no processo da reciclagem energética. Plástico é energia. Um quilo de plástico equivale a um quilo de óleo diesel. São os produtos plásticos presentes no lixo urbano – os sacos e sacolas que embalam o lixo de sua casa, por exemplo, que irão servir de combustível para que o processo de reciclagem energética ocorra.

  1. Há emissão de gases poluentes no processo de Reciclagem Energética?
Não. Os resíduos são queimados em um forno industrial, numa temperatura de cerca de 1000º C. A tecnologia aplicada neste procedimento impede a emissão de gases poluentes durante a queima. Os gases quentes são aspirados para uma caldeira de recuperação, onde é produzido vapor. É este vapor que aciona o gerador de energia térmica ou elétrica, dependendo da tecnologia.

  1. Há sobra de resíduos?
A sobra de toda a queima, que gira em torno de 8% do volume queimado, é reutilizada na fabricação de material de construção, como telhas e tijolos.

  1. Quem já utiliza a Reciclagem Energética?
Mais de 30 países, como Alemanha, Dinamarca, Japão, entre outros, empregam em larga escala a reciclagem energética. Atualmente, cerca de 150 milhões de ton/ano de lixo urbano são destinados em mais de 850 instalações de combustão com geração de energia elétrica ou térmica, todas perfeitamente adequadas às mais rígidas normas ambientais. Com isso, são gerados geram mais de 10.000MW de energia elétrica e térmica. A Alemanha, por exemplo, aboliu os aterros sanitários em função da reciclagem energética. Os Estados Unidos suprem 2,3 milhões de residências com energia elétrica vinda de 98 usinas. A União Européia conta com 420 usinas; só no Japão são 249; na Suíça, 27.

  1. O Brasil já conta com essa tecnologia?
O Brasil ainda não conta com nenhuma usina de reciclagem energética. Hoje, o país produz cerca de 170 mil toneladas de resíduos sólidos urbano por dia, acumulando mais de 61 milhões de toneladas por ano, dos quais cerca de 83% são coletados, mas isso em apenas 40% do municípios. A cidade de São Paulo, por exemplo, já começa a “exportar” o lixo para o município de Caieiras por falta de espaços para aterros. Imagine o custo dessa logística e o impacto ambiental com emissões, por exemplo. Os grandes centros urbanos brasileiros têm praticamente todos os seus aterros saturados.

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